CAMPINAS É A 3° MAIOR EMPREENDEDORA DO BRASIL

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Patrícia Domingos/AAN

Flávio de Andrade Silva, responsável pelo Hiperespaço do CPqD: ambiente da comunidade empreendedora

Campinas é a terceira cidade mais empreendedora do Brasil, segundo ranking divulgado nesta quinta-feira pela Endeavor, organização de fomento ao empreendedorismo. O município subiu duas posições nesta edição e aparece atrás apenas de São Paulo (1º lugar) e de Florianópolis (2º). Ao todo, a lista inclui 32 municípios de 22 estados do Brasil. O Índice de Cidades Empreendedoras 2016 aponta as melhores cidades para se empreender a partir da análise de 60 indicadores distribuídos em sete pilares que mais impactam a vida do empreendedor: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, capital humano, acesso a capital, inovação e cultura empreendedora.
São Paulo aparece com nota 8,493, Florianópolis com 8,324 e Campinas, 7,300. Na sequência estão Joinville, com índice 6,962, e Vitória, 6,937. Todas as cinco cidades do Estado de São Paulo no estudo aparecem entre as 10 melhores no ranking geral. Para o estudo das cidades, a Endeavor tomou como base levantamentos de entidades como o Fórum Econômico Mundial, a Unctad, a OCDE e o Banco Mundial.
O evento de lançamento da 3ª edição do Índice de Cidades Empreendedoras, em São Paulo, teve a participação de prefeitos e secretários empreendedores, lideranças empresariais e formuladores de políticas públicas.
Levando em consideração os pilares, Campinas ficou na 9ª posição, com nota 6,754, quando o assunto foi ambiente regulatório, que leva em consideração o custo e a complexidade da burocracia. Em relação à infraestrutura (condições urbanas e logísticas), a cidade aparece em 3º lugar, com nota 7,33. Em relação ao mercado (tamanho do mercado e clientes potenciais), Campinas vai para a 5ª posição. Quanto ao acesso a capital (bancos e investidores), Campinas aparece na 14ª posição. Em inovação, aparece em 6º lugar; capital humano 8º lugar; cultura empreendedora em 24º.
A classificação de Campinas foi considerada boa levando em conta que as duas cidades que saíram na frentetêm condições privilegiadas, segundo ressaltou o diretor do Parque Científico e Tecnológico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Eduardo Gurgel. São Paulo é o principal motor da economia do País e é a Capital do Estado, concentrando importantes empresas, bancos e startups. Florianópolis tem posicionamento diferenciado devido à política de inovação focada na tecnologia, criação de empresas e ações integradas que já vem de 20 anos, portanto, com mais autonomia.
Gurgel pontuou que Campinas hoje tem mais força e intensificou nos últimos anos a articulação entre empresas, entidades governamentais e institutos de ciência e tecnologia, ação que já vem apresentando resultados. “A inovação não acontece por acaso, mas através de um trabalho conjunto. O que não tínhamos era essa ação integrada que transforma esses empreendimentos em bens tangíveis. Sem a integração desses três atores, você acaba não aproveitando o potencial da região”, disse ele, que é também vice-presidente financeiro e administrativo da Fundação Fórum e diretor de inovação e tecnologia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Gurgel acrescentou que Campinas pode avançar no ranking e alcançar o segundo ou até o primeiro lugar.
Durante o evento de apresentação dos índices, o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB) falou do trabalho em parceria, do interesse nas ideias e conceitos apresentados para facilitar a vida das pessoas e destacou dois projetos lançados pelo município. “De forma prática, criamos a via rápido empresa, diminuímos de 180 para 8 dias a abertura de novos negócios. E nós criamos uma ferramenta muito interessante que se chama Aprovação Responsável Imediata, do setor imobiliário, para que as pessoas possam ter aprovações. Nós invertemos a lógica da confiança. Nós confiamos e emitimos o alvará de execução de imóveis, residenciais e comerciais, em apenas três dias.”
Jonas também comentou sobre as parcerias entre governo e empresas e a diferença do tempo de cada um. “O poder público precisa ser mais ágil e as empresas também precisam ter compreensão do tempo da administração pública.”
Região dá o exemplo em soluções inovadoras
Exemplos de empreendedorismo e de soluções inovadoras não faltam em Campinas e na região metropolitana. Um exemplo é um software desenvolvido por cientistas brasileiros da Unicamp que detecta fraudes em documentos e imagens. O recurso já ajuda investigações da Polícia Federal e faz parte de um projeto de pesquisa maior intitulado DeepEyes: Soluções de Computação Visual e Inteligência de Máquina para Computação Forense e Vigilância Eletrônica no programa Capes Pró-Forenses. O programa é coordenado pelo membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos, Anderson Rocha, e realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com o Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal.
No dia 27 de outubro, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) inaugurou o Hiperespaço, um ambiente voltado para inovações abertas, como foco no desenvolvimento de soluções para cidades inteligentes baseadas no conceito de Internet das Coisas. A iniciativa é voltada à comunidade empreendedora — startups e empresas criativas —, que passa a dispor de um espaço apropriado ao trabalho colaborativo e ao desenvolvimento de ideias.
Considerada uma das mais importantes instituições de Campinas, o CPqD recebeu ontem a visita do ministro da Economia de Portugal, Manuel Caldeira Cabral. Ele foi recebido pelo vice-presidente Comercial e de Desenvolvimento de Negócios José Eduardo Azarite.