POLO DE TI LIDERA LISTA DE FATURAMENTO

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Dominique Torquato/AAN

Leonardo Mattiazzi, vice-presidente de inovação da CI&T: inovar em produtos e serviços é saída para crise

Conhecida como “Vale do Silício Brasileiro”, Campinas registrou no ano passado o maior faturamento médio das empresas do setor de tecnologia da informação (TI) entre os principais polos de tecnologia do País. Foi o que apontou os dados do Acate Tech Report de 2015, estudo desenvolvido pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) e divulgado neste mês. Segundo o levantamento, as empresas do polo tecnológico de Campinas tiveram faturamento médio de R$ 9,1 milhões ano passado, superando as empresas dos polos tecnológicos do Rio de Janeiro (R$ 6,4 milhões), Florianópolis (R$ 5,2 milhões), São Paulo (R$ 4,9 milhões) e Blumenau (R$ 4,8 milhões).
De acordo com o estudo, Campinas tem uma taxa de 70 empresas de tecnologia por 100 mil habitantes, a segunda maior densidade do Estado, perdendo somente para a Capital (106 por 100 mil habitantes). A idade média das empresas do segmento do polo campineiro é de 10 anos. São, em média, 123 empreendedores e 1.678 colaboradores por 100 mil habitantes. O polo tecnológico de Campinas é o quarto do País em número de colaboradores, atrás de Florianópolis (2.891), Manaus (2.041) e Blumenau (1.816).
De acordo com José Eduardo Azarite, presidente da Fundação Fórum Campinas, a proximidade com importantes centros econômicos intensifica as atividades do segmento na cidade e atrai empresas de todo o País. As universidades e os institutos de pesquisa também têm papel-chave para o fortalecimento do ecossistema de inovação e tecnologia. Outro ponto que fortalece o setor em Campinas é a localização geográfica e a malha viária da cidade, interligada por cinco das grandes rodovias do Estado de São Paulo: Anhanguera, Bandeirantes, D. Pedro I, Adhemar de Barros e Santos Dumont.
A CI
“Campinas tem um parque tecnológico muito pujante, com vários ex-alunos da Unicamp. O polo tecnológico de Campinas formou uma massa crítica boa. Campinas tem uma facilidade interessante, e está a menos de duas horas de voo de qualquer capital. Facilita quem quer contratar serviços aqui”, afirmou.
Para Azarite, ainda há muito espaço para crescimento do setor, mas é preciso investir na formação de profissionais, uma vez que falta mão de obra capacitada. Também é necessário ampliar a cultura empreendedora. “Hoje eu vejo duas coisas interessantes que ajudariam a crescer. O primeiro é investir em educação, se observa necessidade de mão de obra. É uma das poucas áreas que têm dificuldades de perfis de achar no mercado. Outra coisa é que essa área é onde nasce as principais startups e é preciso aumentar um pouco a cultura de investimento”.
A CI&T, empresa de desenvolvimento de aplicativos para mobile, portais corporativos, sustentação de sistemas e consultoria de negócios, fundada em 1995 em Campinas, colhe os frutos do bom momento vivido pelo setor de tecnologia de informação. Ao contrário da maioria dos negócios, afetados pela crise, a empresa fechou o ano passado em alta. “O ano de 2015 foi excelente, tivemos um crescimento aceleradíssimo de 46% em receita. Este ano estamos crescendo novamente, mas numa taxa um pouco menor. Claro que não é tudo maravilha, o crescimento seria maior se a economia não tivesse nessa situação”, explicou Leonardo Mattiazzi, vice-presidente de inovação da CI&T.
Segundo Mattiazzi, o mercado de tecnologia cresce durante períodos de crise porque as empresas buscam maior eficiência por meio de novos sistemas. “As empresas que têm uma visão focada no futuro entendem que a única maneira de sair bem nesses momentos difíceis é inovar nos produtos e serviços”.
A empresa tem operações em países como Estados Unidos, Reino Unido, China, Japão e Austrália e continua investindo em exportação. O mercado externo já corresponde a cerca de 35% dos negócios. “O mercado externo continua bastante importante. Conseguimos neste ano superar nossas metas de volume de negócios. Crescemos nos Estados Unidos, Japão e China, e estamos num caminho de balancear os negócios domésticos com os internacionais”